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A au pair na Holanda cuida da casa 30 horas por semana

A agência credenciada patrocina o visto de 1 ano, e a lei proíbe qualquer outro trabalho pago durante a estadia.

Família holandesa espera a au pair no saguão de Schiphol, perto de Amsterdã.

Schiphol, 3 metros abaixo do mar

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A 3 metros abaixo do nível do mar, no saguão de chegadas do aeroporto de Schiphol, a 15 quilômetros do centro de Amsterdã, famílias holandesas esperam com cartaz de papel e cadeirinha de criança no carrinho. Pelo vidro se veem a pista e os campos de Haarlemmermeer, um lago drenado no século 19.

Parte dessas famílias espera uma au pair (jovem estrangeira que mora com a família e ajuda com as crianças em troca de quarto, comida e mesada). A moça chega com mala grande, permissão de residência aprovada e um endereço em Utrecht, Haarlem ou Amstelveen.

A Holanda trata a au pair como intercâmbio cultural, nunca como emprego. A lei de estrangeiros fixa a idade de 18 a 30 anos, a estadia de um ano e o teto de 30 horas semanais de tarefa leve: brincar com as crianças, levar à escola, arrumar a cozinha depois do jantar.

O desenho da regra pega o brasileiro de surpresa. A família não pede o visto sozinha. Quem assina como patrocinador é uma agência de au pair credenciada pelo IND (Immigratie- en Naturalisatiedienst, o serviço de imigração holandês), e ela responde pela jovem durante o ano inteiro.

Outro trecho da regra derruba o plano de muita gente. A au pair não pode aceitar nenhum outro trabalho pago na Holanda: nem turno de café, nem faxina avulsa, nem aula particular de português. A permissão vale só para aquela casa e aquela atividade.

Para quem tem entre 18 e 30 anos e quer morar um ano na Europa sem diploma reconhecido nem oferta de emprego, a porta existe e custa pouco para atravessar. O que trava é a ordem das etapas: agência, família, contrato, visto de entrada e registro na prefeitura.

Uma vez dentro da casa, a jovem aprende holandês na cozinha, conhece a cidade de bicicleta e volta com um ano de Europa no currículo. Quem tenta encurtar a fila, chegando como turista para achar família por lá, costuma voltar sem visto.

Abaixo estão a regra do IND, uma moça de Londrina numa casa de Utrecht e o caminho da primeira conversa com a agência até a chave do quarto.

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I  A REGRA

A agência assina pela família

A permissão de residência para au pair existe na Vreemdelingenwet (a Lei de Estrangeiros holandesa, de 2000) como estadia de intercâmbio cultural. O IND concede por no máximo um ano, sem renovação, e só a quem nunca foi au pair na Holanda.

A regra vale para homens e mulheres. O termo au pair vem do francês (“ao par”, em pé de igualdade) e descreve a jovem que vive como membro da casa, sentada à mesa com a família.

O pedido sai pela agência. Ela precisa ser erkend referent (referente reconhecido, o patrocinador que o IND registra numa lista pública), e só agência de au pair credenciada pode patrocinar esse tipo de permissão. Família sozinha não consegue.

A agência confere a família antes de aceitar o pedido. Os pais moram na Holanda, não têm parentesco com a au pair e precisam provar renda para sustentar mais uma pessoa em casa.

A agência assina, a família hospeda e a au pair cuida só daquela casa.

TRINTA HORAS NA SEMANA

O limite é de 30 horas semanais e 8 horas por dia, com pelo menos 2 dias livres por semana. As tarefas são leves: cuidar das crianças, ajudar no banho, preparar lanche, lavar a louça do dia.

Faxina pesada, cuidado de idoso ou de pessoa doente e trabalho na empresa da família ficam fora. Se a família pede uma tarefa dessas, a agência precisa agir, porque responde pela au pair perante o IND.

A família dá quarto próprio, comida e mesada (dinheiro de bolso pago todo mês). O IND fixa o teto da mesada em 340 euros por mês: acima disso, o valor passa a contar como salário e a estadia deixa de ser intercâmbio.

NENHUM OUTRO EMPREGO

A permissão de au pair não abre o mercado de trabalho. A jovem não pode ter emprego pago, nem meio período, nem por aplicativo, enquanto durar a estadia.

Curso é permitido e faz parte do intercâmbio: aula de holandês, de inglês ou de arte, paga muitas vezes pela própria família. Trabalho voluntário sem pagamento também não fere a regra.

Se a au pair aceita trabalho pago por fora, a agência comunica o IND, que pode cancelar a permissão. A agência também pode encerrar a parceria com a família que pedir horas extras ou serviço proibido.

 
 

II  A VAGA

Uma moça de Londrina em Utrecht

Considere Mariana Souza Takahashi, nome dado aqui a uma jovem hipotética de 23 anos, nascida em Londrina (PR), formada em pedagogia e com três anos de estágio numa escola infantil da cidade.

Mariana fala inglês fluente e nenhuma palavra de holandês. Ela procura uma agência holandesa credenciada pelo site do IND, onde a lista dos referentes reconhecidos fica aberta para consulta.

A agência faz entrevista por vídeo, pede atestado de antecedentes criminais e cartas de referência das famílias para quem ela já cuidou de criança. Com o perfil aprovado, apresenta Mariana a três famílias.

A escolhida mora em Utrecht, a 40 quilômetros de Amsterdã: um casal de médicos com gêmeos de 4 anos e um bebê de 10 meses. Na conversa por vídeo, a mãe mostra o quarto no sótão, com janela para o canal.

Mariana escolheu a casa antes de ter visto, e o visto dependia da agência.

O CONTRATO DO ANO

A família, a agência e Mariana assinam o plano de tarefas: horários de cada dia, folgas, curso e valor da mesada. O plano dela tem 28 horas semanais, dois dias livres e 340 euros por mês.

Com o plano assinado, a agência entra com o pedido no IND pelo procedimento TEV (entrada e residência, um pedido só para o visto de entrada e a permissão de morar). Brasileiro precisa do MVV (o visto de entrada para estadia longa) para cruzar a fronteira holandesa nesse caso.

O IND aprova e avisa a agência. Mariana marca horário na embaixada da Holanda em Brasília, leva o passaporte e sai com o adesivo do MVV colado numa página.

OS PRIMEIROS DIAS EM UTRECHT

Na primeira semana, Mariana vai com a mãe dos gêmeos à prefeitura de Utrecht fazer o registro de endereço no BRP (o cadastro de moradores holandês) e recebe o BSN (o número de cidadão, usado também no fisco).

Depois, retira no balcão do IND o cartão da permissão de residência, com a palavra au pair impressa no campo do objetivo da estadia. O cartão vale por um ano.

A agência contrata, por conta da família, o seguro de saúde dela, num plano feito para estudantes e au pairs. A família também paga o curso de holandês, duas noites por semana, numa escola do centro.

Num sábado de outubro, uma vizinha oferece 15 euros por hora para Mariana cuidar do filho dela à noite. Mariana recusa: o trabalho fora da casa anfitriã quebra a permissão, mesmo pago em dinheiro vivo.

No fim do primeiro mês, os gêmeos já pedem a Mariana a história de dormir em português, e a mãe anota no plano de tarefas a meia hora de leitura antes das oito da noite.

 

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III  A ROTA

Da agência à chave do quarto

O caminho vale para brasileira ou brasileiro de 18 a 30 anos que nunca foi au pair na Holanda, e cada passo depende do anterior.

1. Escolher agência na lista de referentes reconhecidos do IND.

2. Passar pela entrevista e entregar antecedentes e referências.

3. Escolher a família e assinar o plano de tarefas.

4. Esperar a agência protocolar o pedido no IND.

5. Retirar o MVV na embaixada em Brasília.

6. Registrar o endereço na prefeitura e receber o BSN.

7. Retirar o cartão de residência no IND.

A ordem não aceita atalho. Quem entra na Holanda como turista e encontra família por lá não troca de status no país: o MVV precisa sair antes da viagem, ainda no Brasil.

Trocar de família durante o ano é possível pela mesma agência, que comunica o IND. A soma das estadias não passa de um ano.

Terminado o ano, a permissão acaba sem renovação. Quem quer ficar precisa de outra base legal: estudo, emprego de kennismigrant (migrante do conhecimento, o profissional altamente qualificado) ou o zoekjaar (ano de busca de emprego), reservado a quem tem diploma de universidade bem classificada.

Se a família descumpre as horas, a au pair procura a agência primeiro. A agência pode buscar outra casa e, como patrocinadora, mantém o IND informado da troca.

A agência cobra taxa da família, e às vezes da au pair, pelo serviço de seleção. O valor muda de agência para agência, e o contrato precisa dizer quem paga o quê antes da assinatura.

A bagagem pesa pouco no orçamento: roupa de frio para o inverno de Utrecht, bicicleta usada comprada na primeira semana e o passaporte com o MVV.

“Sua agência aparece na lista de referentes reconhecidos do IND?”

A mesada de Mariana fica em 340 euros por mês, cerca de R$ 2.142 a R$ 6,30 por euro, com quarto, comida, seguro de saúde e curso de holandês pagos pela família, sem passagem aérea (cotação de 23/10/2026).

 
 
Quiz da edição

Segundo a regra do IND, qual é o valor máximo da mesada mensal que a au pair pode receber na Holanda sem que o pagamento passe a contar como salário?

A150 euros por mês
B500 euros por mês
C340 euros por mês
D800 euros por mês

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
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