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Considere Mariana Souza Takahashi, nome dado aqui a uma jovem hipotética de 23 anos, nascida em Londrina (PR), formada em pedagogia e com três anos de estágio numa escola infantil da cidade.
Mariana fala inglês fluente e nenhuma palavra de holandês. Ela procura uma agência holandesa credenciada pelo site do IND, onde a lista dos referentes reconhecidos fica aberta para consulta.
A agência faz entrevista por vídeo, pede atestado de antecedentes criminais e cartas de referência das famílias para quem ela já cuidou de criança. Com o perfil aprovado, apresenta Mariana a três famílias.
A escolhida mora em Utrecht, a 40 quilômetros de Amsterdã: um casal de médicos com gêmeos de 4 anos e um bebê de 10 meses. Na conversa por vídeo, a mãe mostra o quarto no sótão, com janela para o canal.
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Mariana escolheu a casa antes de ter visto, e o visto dependia da agência.
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O CONTRATO DO ANO
A família, a agência e Mariana assinam o plano de tarefas: horários de cada dia, folgas, curso e valor da mesada. O plano dela tem 28 horas semanais, dois dias livres e 340 euros por mês.
Com o plano assinado, a agência entra com o pedido no IND pelo procedimento TEV (entrada e residência, um pedido só para o visto de entrada e a permissão de morar). Brasileiro precisa do MVV (o visto de entrada para estadia longa) para cruzar a fronteira holandesa nesse caso.
O IND aprova e avisa a agência. Mariana marca horário na embaixada da Holanda em Brasília, leva o passaporte e sai com o adesivo do MVV colado numa página.
OS PRIMEIROS DIAS EM UTRECHT
Na primeira semana, Mariana vai com a mãe dos gêmeos à prefeitura de Utrecht fazer o registro de endereço no BRP (o cadastro de moradores holandês) e recebe o BSN (o número de cidadão, usado também no fisco).
Depois, retira no balcão do IND o cartão da permissão de residência, com a palavra au pair impressa no campo do objetivo da estadia. O cartão vale por um ano.
A agência contrata, por conta da família, o seguro de saúde dela, num plano feito para estudantes e au pairs. A família também paga o curso de holandês, duas noites por semana, numa escola do centro.
Num sábado de outubro, uma vizinha oferece 15 euros por hora para Mariana cuidar do filho dela à noite. Mariana recusa: o trabalho fora da casa anfitriã quebra a permissão, mesmo pago em dinheiro vivo.
No fim do primeiro mês, os gêmeos já pedem a Mariana a história de dormir em português, e a mãe anota no plano de tarefas a meia hora de leitura antes das oito da noite.
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