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Considere Rafael Nogueira Brandt, nome dado aqui a um engenheiro hipotético de 34 anos, nascido em Joinville (SC), especialista em refrigeração industrial, com oito anos de experiência em frigoríficos de Santa Catarina.
Rafael fala inglês fluente e arranha o alemão. Ele encontra o anúncio numa página de vagas em inglês: uma processadora de camarão em Nuuk procura técnico para cuidar das câmaras frias e das linhas de congelamento rápido.
A entrevista acontece por vídeo, com o gerente da fábrica e um engenheiro dinamarquês que passa metade do ano na ilha. Eles perguntam sobre compressores de amônia, turnos de inverno e se Rafael aguenta a escuridão de dezembro, quando o sol aparece por poucas horas em Nuuk.
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Rafael aceitou uma vaga numa cidade só, e a permissão descreve essa cidade.
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O CONTRATO E O PEDIDO
O contrato traz salário mensal de 30 mil coroas dinamarquesas, jornada de 37 horas semanais, cinco semanas de férias e moradia num apartamento da empresa, perto do porto. O valor da moradia sai descontado em folha.
A empresa preenche a parte do empregador no formulário da SIRI, e Rafael completa a dele pela internet, com passaporte, diploma traduzido e o contrato assinado. O pedido segue para Copenhague, e a resposta chega por email.
O cartão de residência e trabalho chega aprovado para um posto em Nuuk, na processadora de camarão, como técnico de refrigeração. Rafael embarca em Guarulhos com escala na Europa e conexão em Copenhague.
OS PRIMEIROS DIAS NO FIORDE
Na primeira semana, Rafael faz o registro de endereço na prefeitura de Nuuk e recebe o número CPR (o cadastro pessoal usado no reino dinamarquês, que serve para banco, médico e imposto). O imposto de renda dele segue a tabela groenlandesa, descontado na fonte.
O primeiro plantão dele começa às seis da manhã, com a câmara fria a 25 graus negativos e um barco de camarão encostado no cais. A equipe mistura groenlandeses, dinamarqueses, filipinos e um islandês que pilota a empilhadeira.
Ele abre conta num banco local, compra botas de neve e um casaco próprio para 20 graus negativos. O supermercado cobra caro por fruta e verdura, porque quase tudo chega de navio ou de avião.
No terceiro mês, a matriz da empresa oferece a Rafael uma vaga temporária no escritório de Copenhague, com salário maior. Rafael consulta a SIRI e recebe a resposta: o cartão groenlandês não cobre a mudança, e a vaga dinamarquesa exigiria um pedido novo, com regra própria e outro prazo.
Rafael recusa e fica em Nuuk. Termina o primeiro inverno com a equipe da fábrica, aprende a dizer qujanaq (obrigado, em groenlandês) e renova o contrato por mais um ano com o mesmo empregador.
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