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Considere Larissa Tavares Brandão, nome dado aqui a uma engenheira hipotética de 34 anos, de São José dos Campos, com licença de piloto privado da ANAC tirada num aeroclube do interior paulista e 140 horas de voo no diário de bordo.
Larissa trabalha há nove anos com projeto de estruturas de aeronaves. Em 2026, a Embraer a transfere para a unidade de Melbourne, na Flórida, onde a empresa faz a montagem final dos jatos executivos Phenom e Praetor.
A transferência sai pelo visto L-1 (o visto americano para funcionário transferido dentro da mesma empresa), pedido pela própria Embraer. O visto autoriza o trabalho de engenharia, e nada nele trata de aviação.
No primeiro mês, ela procura uma escola de voo perto do aeroporto. O dono pede o certificado da FAA para liberar o Cessna 172. A carteira da ANAC sozinha só vale em avião de matrícula brasileira.
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O certificado da 61.75 abre o hangar no sábado e mantém fechada a porta do contracheque.
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O QUE ELA PODE FAZER NO AR
Com o certificado, Larissa aluga o Cessna e leva dois colegas para ver o Cabo Canaveral, uns 35 quilômetros ao norte. A regra do piloto privado permite dividir gasolina e aluguel em partes iguais, desde que ela pague a parte dela.
Cobrar pelo voo ou aceitar salário de piloto fica vetado. Se um colega oferece bancar a viagem inteira até Key West, o voo vira transporte remunerado, e a FAA trata o caso como infração.
Para voar por dinheiro, Larissa precisaria do certificado de piloto comercial americano. A seção 61.129 exige 250 horas de voo, prova escrita e prova prática com examinador, e ela tem 140 horas.
Há ainda o visto. O L-1 a prende à Embraer como engenheira. Um emprego de piloto em outra empresa exigiria visto novo, pedido pelo novo empregador.
A licença brasileira também precisa seguir válida. Se a habilitação da ANAC vencer, o papel americano perde valor junto, mesmo com o atestado médico da FAA em dia.
Antes do primeiro voo sozinha, ela faz a revisão de voo (flight review, uma hora de aula em solo e uma hora de voo com instrutor americano), exigida pela seção 61.56 de todo piloto em comando a cada 24 meses.
Com a revisão anotada no diário, Larissa faz o voo de checagem da escola e recebe a chave do Cessna no sábado seguinte.
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