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Considere Juliana Prado Ferraz, nome dado aqui a uma engenheira aeronáutica brasileira hipotética de 36 anos, formada pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica e empregada numa fabricante de aviões em São José dos Campos.
Juliana recebe uma oferta de uma empresa de manutenção de aeronaves no aeroporto de Dubai. O contrato prevê salário mensal de 22 mil dirhams, perto de R$ 32 mil, acima da linha exigida pela Green Visa.
Ela é casada, tem um filho de 8 anos e uma filha de 4. A mãe dela, viúva e aposentada, mora sozinha em Taubaté.
No regime antigo, a empresa seria a patrocinadora de Juliana e da família. Se o contrato terminasse, os quatro teriam 30 dias para resolver a vida. A mãe, sem processo próprio, ficaria no Brasil.
O primeiro trabalho de Juliana acontece longe de Dubai. O diploma do ITA precisa de apostila de Haia (o carimbo internacional que valida documento público), emitida num cartório brasileiro.
Depois, o diploma apostilado vai para a legalização no Ministério das Relações Exteriores dos Emirados. O processo leva cerca de 4 semanas, entre cartório, tradução para o árabe e envio.
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Na Green Visa, o diploma apostilado pesa tanto quanto o contracheque: sem ele, o processo para.
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O PRIMEIRO MÊS EM DUBAI
Juliana entra com um visto de entrada emitido a partir da oferta. Na primeira semana, faz o exame médico obrigatório, que inclui raio-X do tórax e exame de sangue, numa clínica credenciada pelo governo.
Com o laudo pronto, ela tira a biometria para o Emirates ID, a carteira de identidade que todo residente carrega. O Green Visa aparece vinculado ao documento, sem etiqueta colada no passaporte.
Em seguida, Juliana abre os processos da família pelo aplicativo da ICP. O marido e os filhos entram como dependentes; a mãe entra como parente de primeiro grau, com certidão de nascimento de Juliana apostilada para provar o vínculo.
No Brasil, Juliana entrega à Receita Federal a Comunicação de Saída Definitiva do País e, no ano seguinte, a Declaração de Saída Definitiva. Ela deixa de ser residente fiscal brasileira e passa a declarar só a renda que ainda tiver no Brasil, como aluguel de imóvel.
Dois anos depois, a empresa reestrutura a operação e corta o setor de Juliana. Ela usa a carência de 180 dias, consegue vaga numa companhia aérea em Abu Dhabi e transfere o vínculo sem tirar ninguém da escola.
A mãe de Juliana, que nunca tinha morado fora de Taubaté, segue com residência válida durante toda a troca. O visto dela depende do visto da filha, e o da filha nunca deixou de existir.
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