|
Considere Rodrigo Almeida Baptista, nome dado aqui a um contador brasileiro hipotético de 41 anos, dono de um escritório de contabilidade em Cascavel, no oeste do Paraná, a 140 quilômetros de Foz do Iguaçu.
Rodrigo atende há anos lojistas brasileiros com negócio em Ciudad del Este. Em 2025, um deles oferece sociedade numa consultoria tributária para empresas que querem operar no Paraguai.
O plano é morar em Ciudad del Este com a esposa, professora, e o filho de 12 anos, mantendo clientes brasileiros a distância. Rodrigo quer a residência permanente para registrar a empresa e abrir conta em banco paraguaio.
Pela lei antiga, ele juntaria os papéis, faria o requerimento e sairia com a permanente na primeira visita à Migraciones. Pela Lei 6.984, a primeira visita entrega a temporária de dois anos.
O primeiro trabalho dele acontece em Cascavel. Rodrigo pede à Polícia Federal a certidão de antecedentes criminais e, no cartório, a certidão de nascimento atualizada.
Os dois documentos recebem a apostila de Haia (o carimbo internacional que valida documento público) e seguem para tradução ao espanhol por tradutor público aceito no Paraguai.
|
Na temporária do Mercosul, o contrato de trabalho espera: quem abre a primeira porta é a ficha limpa.
|
OS DOIS ANOS EM CIUDAD DEL ESTE
Rodrigo atravessa a ponte com o passaporte, registra a entrada no posto migratório e vai ao escritório da Migraciones em Ciudad del Este. Lá entrega as certidões, tira foto e registra as digitais.
Antes da resposta, ele precisa de dois documentos emitidos no próprio Paraguai: o atestado de antecedentes da Polícia Nacional e o certificado da Interpol, feitos com a biometria colhida na cidade.
Com a temporária em mãos, Rodrigo tira a cédula de estrangeiro e se inscreve no RUC, o Registro Único de Contribuintes, cadastro fiscal do país. Com o RUC, a consultoria já emite nota.
A cédula de temporário tem a mesma validade da residência. Rodrigo anota na agenda a data de vencimento, porque a Migraciones não manda lembrete e o prazo corre sozinho.
A esposa e o filho entram no mesmo processo como familiares. Cada um recebe a própria temporária, com prazo igual de dois anos, e o menino se matricula numa escola bilíngue da cidade.
Durante os dois anos, Rodrigo guarda os papéis da segunda rodada: contrato social da empresa, notas emitidas e extratos do banco paraguaio. Tudo serve como prova de meios de vida lícitos.
No vigésimo mês, ele protocola a permanente. A família recebe a aprovação antes do vencimento da temporária, e os três trocam a cédula de temporário pela de residente permanente.
No Brasil, Rodrigo entrega à Receita Federal a Comunicação de Saída Definitiva do País. Ele deixa de ser residente fiscal brasileiro e declara no Paraguai a renda da consultoria.
|