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A regra dos 20 funcionários que adianta o emprego na Dinamarca

No Fast Track da SIRI, a empresa certificada põe o estrangeiro para trabalhar na data do pedido, antes da decisão sobre a autorização.

Ponte do Øresund, entre Copenhague e Malmö, sobre o mar.

Ponte do Øresund, vista de Copenhague

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A 55 graus de latitude norte, onde o estreito de Øresund separa a Dinamarca da Suécia, Copenhague encara Malmö através de uma ponte de quase 8 quilômetros. Dos escritórios altos do porto, nos dias limpos, dá para acompanhar os caminhões que cruzam rumo ao litoral sueco.

Muitas dessas salas pertencem a empresas que contratam fora do país. Farmacêuticas, fabricantes de turbinas eólicas, companhias de navegação e startups de software disputam engenheiros, médicos e programadores que a Dinamarca, com menos de 6 milhões de habitantes, não forma em número suficiente.

Para o estrangeiro de fora da União Europeia, a contratação esbarra na autorização de residência e trabalho. O pedido corre na SIRI, a Agência Dinamarquesa de Recrutamento Internacional e Integração, e a análise comum leva semanas.

Durante a espera, o candidato tem contrato assinado e não pode trabalhar. A empresa segura a vaga, o projeto atrasa e, não raro, o profissional aceita outra proposta em Lisboa, Berlim ou Toronto.

O Fast Track (via rápida, em inglês) nasceu para encurtar esse intervalo. A empresa passa por uma certificação prévia na SIRI e, a partir dela, seus contratados estrangeiros entram num trilho próprio de autorização.

A vantagem mais concreta mora num detalhe do regulamento. Com a empresa certificada, o contratado pode começar a trabalhar na data em que o pedido de autorização é protocolado, sem aguardar a resposta da agência.

Para o brasileiro, a regra combina com outra facilidade: o passaporte do Brasil entra na Dinamarca sem visto para estadias curtas de turismo e negócios. O profissional desembarca como visitante, a empresa protocola o pedido e o expediente começa sem a decisão na mão.

A porta tem condições. A empresa precisa de um tamanho mínimo, o salário precisa passar de um piso oficial e o pedido precisa entrar completo, porque um papel errado devolve o candidato à fila comum.

Abaixo vêm o texto da certificação e as vias que ela abre, a rotina de um engenheiro paulistano contratado em Copenhague e a ordem dos papéis a partir do Brasil.

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I  A REGRA

O selo das 20 vagas

O Fast Track está previsto na Lei de Estrangeiros da Dinamarca, a Udlændingeloven, e quem aplica o esquema é a SIRI, órgão ligado ao Ministério da Imigração e Integração. A certificação é pedida pela empresa, nunca pelo trabalhador.

O primeiro requisito é o tamanho. A empresa precisa ter pelo menos 20 funcionários em tempo integral registrados na Dinamarca, contados na folha salarial local, sem somar filiais em outros países.

O segundo requisito é a ficha limpa. A SIRI recusa a certificação de quem foi punido nos anos anteriores por empregar estrangeiro sem autorização ou por pagar abaixo das condições dinamarquesas de salário e jornada.

Aprovado o pedido, o nome da empresa entra na lista pública de empresas certificadas, que a agência mantém no site oficial de imigração, o nyidanmark.dk (novo na Dinamarca, em dinamarquês). A certificação vale por quatro anos e pode ser renovada.

Na Dinamarca, a empresa certificada responde pela contratação e, em troca, o estrangeiro começa a trabalhar na data em que o pedido entra na SIRI.

AS QUATRO VIAS DO FAST TRACK

A certificação abre quatro caminhos de autorização. O mais usado é a via do limite salarial, para quem recebe acima do piso anual em coroas dinamarquesas que a SIRI atualiza todo começo de ano.

A via de pesquisa serve a pesquisadores contratados por universidade, hospital ou laboratório privado. A via de ensino cobre o estrangeiro que vem à Dinamarca para treinamento ou qualificação dentro da empresa.

A quarta é a via curta, pensada para o profissional que fica até três meses em serviço no país. Ela atende o consultor que chega para instalar um sistema, treinar uma equipe ou acompanhar uma obra e depois volta para casa.

Em troca da rapidez, a empresa assume deveres. Ela avisa a SIRI quando o contrato termina antes do previsto e responde se o salário pago cair abaixo do que constava no pedido. Descumprir a regra custa multa e a perda do selo.

O trabalhador também tem um prazo. Depois de protocolar o pedido, ele precisa registrar fotos e impressões digitais num posto da SIRI dentro de 14 dias. Sem a biometria, a análise para e o direito de trabalhar antes da decisão cai.

A ideia de partir para viver em outro lugar tem um patrono dinamarquês conhecido no mundo inteiro, o autor de A Pequena Sereia, que passou boa parte da vida em viagens pela Europa.

“At rejse er at leve.” (Viajar é viver.)

Hans Christian Andersen, O Conto de Fadas da Minha Vida, 1855

 
 

II  A VAGA

O engenheiro paulistano em Copenhague

Considere Rafael Tavares Moreira, nome dado aqui a um engenheiro eletricista brasileiro hipotético de 33 anos, nascido em São Paulo e especializado em integração de parques eólicos à rede elétrica.

Rafael trabalha há oito anos com subestações. Em 2026, uma consultoria de energia com sede em Copenhague e 400 funcionários na Dinamarca oferece a ele uma vaga de engenheiro sênior, com salário anual acima do piso da via de limite salarial.

A consultoria aparece na lista de empresas certificadas da SIRI. Por esse motivo, o setor de pessoas sugere que Rafael viaje antes da decisão e comece a trabalhar assim que o pedido estiver protocolado.

O primeiro trabalho acontece em São Paulo. Rafael assina o contrato em inglês, que traz cargo, salário, jornada e data de início, e separa o passaporte, o diploma de engenharia e o histórico de trabalho.

No Fast Track, o contrato assinado com empresa certificada vira o passe que leva o engenheiro ao escritório antes do carimbo.

A CHEGADA A COPENHAGUE

Rafael embarca em Guarulhos sem visto, como visitante, e desce no aeroporto de Kastrup, a 8 quilômetros do centro de Copenhague. Na segunda-feira, a consultoria envia o formulário online, o contrato e o recibo da taxa do pedido.

Na terça, Rafael vai ao posto da SIRI no bairro de Valby, entrega o passaporte e registra fotos e impressões digitais. Com o pedido protocolado e a biometria feita, ele recebe o crachá da empresa e senta na sua mesa.

Nas semanas seguintes, Rafael trabalha com o pedido ainda em análise. Se a SIRI recusasse a autorização, ele teria de parar no dia da recusa e deixar o país dentro do prazo indicado na carta.

A aprovação chega por correspondência digital. Com ela, Rafael vai à International House Copenhagen, o balcão municipal que atende estrangeiros, e tira o número CPR, o registro civil dinamarquês que abre conta em banco, plano de saúde público e contrato de aluguel.

Com o CPR, ele ativa o MitID, a identidade digital do país, e recebe pelo correio o cartão de residência. A esposa, Camila, entra com pedido de autorização como familiar acompanhante, que dá a ela o direito de trabalhar em qualquer empresa dinamarquesa.

O imposto passa a seguir a residência. Rafael adere ao regime especial para pesquisadores e altos salários, com alíquota de 27% mais 8% de contribuição ao mercado de trabalho, e entrega à Receita Federal a Comunicação de Saída Definitiva do País.

Dois anos depois, a consultoria promove Rafael a coordenador. Como a autorização está ligada ao empregador e ao cargo, a empresa comunica a mudança à SIRI antes de alterar o contrato.

 

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III  A ROTA

Do contrato em São Paulo à mesa em Valby

A sequência abaixo serve ao brasileiro maior de idade contratado por empresa certificada no Fast Track dinamarquês.

1. Confirmar o nome do empregador na lista de empresas certificadas do nyidanmark.dk.

2. Assinar o contrato com cargo, salário anual em coroas, jornada e data de início.

3. Reunir passaporte válido, diploma e, quando a profissão exigir, a autorização do conselho profissional dinamarquês.

4. Pedir à empresa o número do caso, gerado pela SIRI quando o empregador abre o processo online.

5. Pagar a taxa do pedido e guardar o comprovante, porque o formulário não segue sem ele.

6. Embarcar sem visto como visitante e esperar o empregador protocolar o pedido.

7. Registrar fotos e impressões digitais num posto da SIRI dentro de 14 dias do protocolo.

8. Começar a trabalhar e, com a aprovação, tirar o número CPR na International House.

O piso salarial é o ponto que mais derruba pedidos. A SIRI compara o salário do contrato com o valor anual vigente e não aceita benefício, bônus incerto ou ajuda de aluguel na soma.

Médico, enfermeiro, dentista e outros profissionais de saúde dependem de autorização própria da Autoridade Dinamarquesa de Segurança do Paciente para exercer. Sem ela, a SIRI não aprova o pedido, mesmo com empresa certificada.

A estadia sem visto conta no limite de 90 dias dentro de 180 da zona Schengen (o bloco de 29 países europeus sem controle de fronteira entre si). Quem chega já com dias gastos em viagem pela Europa deve fazer a soma antes de embarcar.

Quem troca de emprego precisa de autorização nova. A licença dinamarquesa vale para aquele empregador e aquele cargo, e o trabalho no novo posto só começa quando o novo pedido entra pela empresa que contrata.

“Qual empresa da sua área já aparece na lista de certificadas da SIRI?”

O caminho até o primeiro expediente fica perto de R$ 8.900 para o contratado, com passagem só de ida São Paulo a Copenhague, a taxa do pedido convertida da coroa dinamarquesa e a tradução juramentada do diploma (cotação de 11/10/2026).

 
 
 
Quiz da edição

No Fast Track dinamarquês, quantos dias o trabalhador tem, depois de protocolar o pedido, para registrar fotos e impressões digitais num posto da SIRI?

A7 dias
B14 dias
C21 dias
D30 dias

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
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