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Andorra pede 15.000 euros de depósito a quem abre empresa

A residência ativa cobra o depósito, 20% de uma empresa andorrana e 183 dias por ano entre as montanhas.

Andorra-a-Velha no vale do rio Valira, entre os picos nevados dos Pirineus.

Andorra-a-Velha, a 1.023 metros, nos Pirineus

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A 1.023 metros de altitude, no vale do rio Valira, Andorra-a-Velha é a capital mais alta da Europa. Das janelas dos escritórios da Avinguda Meritxell se vê a neve nos picos dos Pirineus de outubro a maio, e a fronteira com a Espanha fica a 12 quilômetros de estrada.

O país inteiro cabe em 468 quilômetros quadrados, pouco acima de 30% da área do município de São Paulo. São sete paróquias (os municípios andorranos), cerca de 85 mil moradores e nenhum aeroporto: quem chega desce em Barcelona ou Toulouse e sobe a serra de carro ou de ônibus.

Andorra fica fora da União Europeia e fora do espaço Schengen (a área europeia de livre circulação). O turista brasileiro entra pela Espanha ou pela França, e os dias passados no país dos Pirineus contam na estadia curta permitida pelos vizinhos.

Morar ali pede autorização do governo andorrano, e o país separa os candidatos em dois grupos. A residência passiva serve a quem vive de renda e não trabalha no território. A residência ativa, chamada em catalão de residència per compte propi (residência por conta própria), serve a quem abre ou compra empresa e trabalha nela.

A versão ativa traz três exigências escritas. O candidato deposita 15 mil euros na AFA (Autoritat Financera Andorrana, a autoridade financeira do país), detém pelo menos 20% de uma empresa andorrana e passa no mínimo 183 dias por ano dentro das fronteiras.

O depósito não paga taxa nem compra nada. Ele fica parado na autoridade financeira enquanto durar a residência e volta ao titular quando ele deixa o regime, sem juros.

A atração tem número. O imposto sobre o lucro das empresas andorranas fica em 10%, e o imposto de renda da pessoa física isenta os primeiros 24 mil euros por ano e para em 10% no topo da tabela.

Abaixo estão a regra da residência ativa, uma designer de Curitiba que abre estúdio em Andorra-a-Velha e o caminho do primeiro depósito até o cartão de residente.

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A residência ativa vem da lei andorrana de imigração, aplicada pelo Servei d'Immigració (Serviço de Imigração) do governo. Ela vale para quem trabalha por conta própria dentro do país, como sócio que administra a própria empresa ou profissional liberal registrado.

O depósito é a primeira linha do pedido. São 15 mil euros transferidos para a AFA antes da autorização sair. A R$ 6,30 por euro, a quantia chega a R$ 94.500, imobilizados enquanto o titular mantiver a residência.

A segunda linha é a sociedade. O candidato precisa deter pelo menos 20% do capital de uma empresa constituída em Andorra e trabalhar nela de forma efetiva, com cargo de administrador ou função descrita no contrato social.

Estrangeiro que compra parte de empresa andorrana passa antes por uma autorização de investimento estrangeiro, concedida pelo Ministério da Economia. O pedido descreve a atividade, o capital e quem são os sócios.

A terceira linha é o calendário. O titular passa no mínimo 183 dias por ano no país, e a contagem se confere na renovação, com contas de consumo, contrato de aluguel e movimentação bancária local.

I  A REGRA

Depósito, sociedade e calendário

A residência ativa compra tempo de moradia com três provas: dinheiro parado na AFA, um quinto de uma empresa local e meio ano de presença.

O PREÇO DA SOCIEDADE

O depósito da AFA cobre só a residência. A empresa pede capital próprio: a sociedade limitada andorrana, a SL, nasce com capital mínimo de 3.000 euros.

O sócio-administrador entra também na CASS (Caixa Andorrana de Seguretat Social, a previdência pública do país) como trabalhador por conta própria. A contribuição mensal sai do bolso dele desde o primeiro mês e garante o atendimento na rede de saúde.

O país canta a própria origem no hino. A letra de El Gran Carlemany (O Grande Carlos Magno), escrita pelo padre Joan Benlloch i Vivó e adotada em 1921, abre com a lenda da fundação.

“O grande Carlos Magno, meu pai, dos árabes me libertou.”

Joan Benlloch i Vivó, El Gran Carlemany, 1921

O verso fala de um país pequeno que sobreviveu entre dois vizinhos grandes. A residência ativa segue o mesmo cálculo: Andorra aceita o morador estrangeiro que traz empresa, emprega e paga imposto dentro das montanhas.

O QUE A RESIDÊNCIA NÃO FAZ

A autorização não abre trabalho na França nem na Espanha. O titular mora e trabalha em Andorra, e qualquer emprego nos vizinhos pede visto próprio daqueles países.

O cartão também não estende o direito à família de forma automática. Cônjuge e filhos entram por reagrupamento familiar, com pedido próprio no Serviço de Imigração e prova de moradia com espaço para todos.

Ela também não dá cidadania rápida. A nacionalidade andorrana exige 20 anos de residência e a renúncia à cidadania anterior, regra que pesa para o brasileiro que pretende manter o passaporte.

 
 

Considere Mariana Albuquerque Teixeira, nome dado aqui a uma designer hipotética de 36 anos, formada em Design Gráfico em Curitiba e dona de um estúdio de identidade visual com clientes na Espanha e em Portugal.

Mariana fatura cerca de 9.000 euros por mês com contratos de marcas de Barcelona, Madri e Lisboa. Trabalha a distância há quatro anos e decide mudar o estúdio inteiro para Andorra.

Ela constitui uma SL em Andorra-a-Velha com capital de 3.000 euros e fica com 100% das quotas, bem acima do piso de 20%. Um gestor local, contratado por 1.800 euros, cuida da autorização de investimento estrangeiro e do registro da empresa.

O depósito sai da poupança dela. Mariana transfere 15 mil euros para a AFA e recebe o comprovante que acompanha o pedido de residência no Serviço de Imigração.

Para a moradia, ela aluga um apartamento de um quarto em Escaldes-Engordany, paróquia vizinha à capital, por 1.300 euros por mês. O contrato de 12 meses entra no pedido como prova de endereço.

II  A VAGA

Uma designer de Curitiba na Avinguda Meritxell

Mariana pôs 15 mil euros parados na AFA e 3.000 no capital da SL antes de emitir a primeira fatura andorrana.

OS DIAS NA ESTRADA

Os clientes de Barcelona pedem reunião presencial a cada trimestre. A viagem de carro leva cerca de três horas, e Mariana volta no mesmo dia ou no seguinte para não gastar a margem.

Ela mantém uma planilha com cada dia fora do país. No fechamento do primeiro ano, somou 41 dias de viagem, entre feiras, clientes e duas idas ao Brasil, e ficou 324 dias em território andorrano.

A conta tem folga de 141 dias acima do mínimo legal. Mariana usa parte dessa folga para passar o Natal com a família em Curitiba sem risco de perder a autorização.

O IMPOSTO NA MONTANHA

Antes de partir, Mariana entrega à Receita Federal a comunicação de saída definitiva do país e, no ano seguinte, a declaração de saída. Sem os dois documentos, o faturamento continuaria sujeito ao imposto de renda brasileiro.

Em Andorra, o lucro do estúdio paga 10% de imposto sobre sociedades. O salário que ela retira da SL entra no imposto de renda andorrano, com os primeiros 24 mil euros anuais isentos.

 

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A sequência abaixo serve ao brasileiro com negócio próprio ou atividade liberal que pretende trabalhar dentro de Andorra e tem os 15 mil euros livres.

1. Contratar um gestor andorrano para a autorização de investimento estrangeiro.

2. Constituir a sociedade em Andorra e ficar com pelo menos 20% do capital.

3. Transferir os 15 mil euros para a AFA e guardar o comprovante do depósito.

4. Alugar moradia no país e registrar o contrato em nome do candidato.

5. Apostilar e traduzir a certidão de antecedentes criminais e a certidão de nascimento.

6. Protocolar o pedido no Serviço de Imigração, em Andorra-a-Velha.

7. Fazer o exame médico indicado pelo governo e retirar o cartão de residente.

Depois da aprovação, o titular se inscreve na CASS e começa a contribuir como trabalhador por conta própria. Sem a inscrição, a empresa não opera em dia e a renovação trava.

A primeira autorização vale, em regra, um ano. As renovações seguintes têm prazo mais longo e pedem prova dos 183 dias, da empresa ativa e do depósito ainda parado na AFA.

Fechar a empresa ou vender a participação abaixo de 20% tira a base da residência. O titular comunica a mudança ao Serviço de Imigração e pede outra categoria de autorização ou prepara a saída.

Quando o titular encerra a residência, pede a devolução dos 15 mil euros à AFA, com a baixa da autorização em mãos. O dinheiro volta sem correção.

Com o cartão andorrano, o titular cruza a fronteira da Espanha e da França pelas regras de estadia curta dos vizinhos. Morar em Barcelona e subir a serra só para trabalhar não cumpre os 183 dias.

O custo de vida acompanha a altitude. Aluguel, escola e seguro saem caros para os padrões ibéricos, e o candidato faz a conta do ano inteiro na montanha antes de transferir o depósito.

O Brasil não mantém embaixada em Andorra. O atendimento consular ao brasileiro que mora no país fica com o Consulado-Geral do Brasil em Barcelona.

“Você consegue deixar 15 mil euros parados por todo o tempo em que morar na montanha?”

O depósito da residência ativa fica em 15 mil euros, cerca de R$ 94.500 a R$ 6,30 por euro, devolvidos sem juros na saída do regime, com o capital de 3.000 euros da SL, o gestor e a CASS à parte (cotação de 23/10/2026).

III  A ROTA

Da AFA ao cartão de residente

 
 
Quiz da edição

Pelas regras descritas na edição, qual é o número mínimo de dias por ano que o titular da residência ativa precisa passar dentro de Andorra?

A90 dias
B141 dias
C183 dias
D324 dias

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
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