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Considere Rafael Moura dos Santos, nome dado aqui a um mecânico industrial hipotético de 41 anos, de Caxias do Sul, pai de Davi, goleiro de 15 anos nas categorias de base de um clube da Serra Gaúcha.
Rafael trabalha há 18 anos com manutenção de máquinas de injeção plástica. Em 2026, uma fábrica de componentes automotivos de Aveiro, em Portugal, oferece a ele o posto de técnico de manutenção, com contrato de trabalho e salário de 1.450 euros.
A vaga chega por um anúncio no portal do IEFP (Instituto do Emprego e Formação Profissional, a agência pública de emprego de Portugal), sem nenhuma ligação com o futebol. Esse detalhe sustenta todo o pedido de Davi.
Com o contrato assinado, Rafael pede no consulado português em Porto Alegre o visto de trabalho subordinado. A esposa, Cláudia, e Davi seguem no pedido de reagrupamento familiar, o procedimento português que estende a residência à família do trabalhador.
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No artigo 19, o contrato do pai pesa mais do que o talento do filho.
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O PEDIDO DO CLUBE EM AVEIRO
Três meses depois da mudança, Davi faz um teste num clube de Aveiro e é aprovado para o time sub-16. A família já tem endereço, conta em banco e a matrícula dele numa escola pública da cidade.
Quem pede a exceção é o clube, pela Federação Portuguesa de Futebol, no sistema da FIFA. O pacote leva o contrato de trabalho de Rafael, o comprovante de residência da família, a certidão de nascimento de Davi e a matrícula escolar.
A FIFA olha a ordem dos fatos. Se o clube tivesse arranjado o emprego para trazer o goleiro, a exceção cairia. A data do contrato, anterior a todo contato com o clube, mostra a ordem certa.
A Confederação Brasileira de Futebol entra no fim do trilho. Ela emite o certificado internacional de transferência, o documento que libera o registro do jogador na federação do novo país.
Com a aprovação, Davi disputa as competições oficiais do sub-16 português. Em Portugal, o contrato de trabalho desportivo só pode ser assinado a partir dos 16 anos, a mesma idade mínima que a Lei Pelé (Lei 9.615, de 1998) fixa no Brasil.
Aos 18 anos, o artigo 19 deixa de valer para ele. Davi passa a negociar com qualquer clube do mundo sem depender do emprego do pai.
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