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Austrália dá residência a quem vive três anos na região

O subclass 491 dura cinco anos, soma 15 pontos na imigração e leva ao 191 quem mora fora de Sydney, Melbourne e Brisbane.

Vista da escarpa de Toowoomba sobre o vale do Lockyer, em Queensland, com estufas e estrada.

Toowoomba vista da borda da cordilheira

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A 125 quilômetros a oeste de Brisbane e a 700 metros de altitude, na borda da Great Dividing Range (a cordilheira que acompanha a costa leste australiana), Toowoomba olha para o vale do Lockyer, uma planície de hortas que abastece os mercados do sudeste de Queensland. Da escarpa se veem as estufas, os silos e a estrada que desce para a capital.

A cidade tem hospital regional, universidade e oficinas mecânicas que disputam trabalhador com Brisbane. Para o governo australiano, Toowoomba conta como região designada, e morar ali vale pontos na imigração.

A ferramenta que transforma o endereço em pontos se chama Skilled Work Regional (Provisional) visa, o subclass 491 (a categoria de visto de número 491 na lista do governo federal). Criado em novembro de 2019, ele dura cinco anos e exige que o titular viva, trabalhe e estude apenas fora das três maiores metrópoles do país: Sydney, Melbourne e Brisbane.

O 491 é provisório, mas foi desenhado para virar permanente. Quem cumpre três anos na região e comprova renda tributável mínima em três anos fiscais pede o subclass 191, a residência permanente regional, que dispensa nova nota em teste de pontos, nova avaliação profissional e limite de idade.

Para o brasileiro com profissão técnica ou superior, a troca pesa. As vagas das capitais atraem candidatos com pontuação alta; nas regiões, o estado indica o candidato e soma 15 pontos à conta dele, o bastante para cruzar a nota mínima de 65 que muita gente não alcança pelo visto independente.

O preço vem na forma de endereço. Por três anos, cada contracheque e cada contrato de aluguel precisam carregar um código postal regional, e o governo confere os dois papéis.

Quem pode entrar, quais regras prendem o titular e como o 191 se conquista abrem a primeira parte.

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I  A REGRA

Quinze pontos e cinco anos de região

O subclass 491 é concedido pelo Department of Home Affairs (Departamento de Assuntos Internos) da Austrália a quem recebe convite pelo SkillSelect, o sistema online em que o candidato registra uma Expression of Interest (manifestação de interesse) com profissão, idade, inglês e experiência. O convite só sai com indicação de um governo estadual ou territorial, ou com patrocínio de um parente elegível que more em região designada.

O candidato precisa ter menos de 45 anos na data do convite, uma profissão presente na relação que o estado usa para indicar e uma skills assessment (avaliação de competências, a análise do diploma e da experiência feita por um órgão australiano da área) com resultado positivo.

O inglês mínimo é o competent (competente), que no IELTS (International English Language Testing System, exame internacional de proficiência em inglês) corresponde a nota 6 em cada uma das quatro habilidades: leitura, escrita, fala e compreensão oral.

A nota de corte do teste de pontos é 65. Idade entre 25 e 32 anos rende 30 pontos, inglês superior rende 20, e a indicação regional soma 15. A indicação estadual do visto permanente subclass 190 soma 5, e a distância de dez pontos explica por que tanta gente escolhe a região.

O 491 não amarra o titular a uma empresa. Ele pode trocar de emprego e de cidade quantas vezes quiser, contanto que endereço e empregador fiquem em região designada.

“The holder must, while the holder is in Australia, live, study and work only in a designated regional area.” Em português: o titular deve, enquanto estiver na Austrália, morar, estudar e trabalhar apenas em região designada.

Migration Regulations 1994, anexo 8, condição 8579, Commonwealth da Austrália, redação de 2019

O QUE CONTA COMO REGIÃO

A lista de regiões designadas cobre a Austrália inteira, com três exceções: as áreas metropolitanas de Sydney, Melbourne e Brisbane. Perth, Adelaide, Hobart, Canberra, Gold Coast, Sunshine Coast, Newcastle, Wollongong e Geelong entram como cidades e grandes centros regionais.

Na prática, o titular pode alugar um apartamento no centro de Perth, capital da Austrália Ocidental, e cumprir a condição. Quem prefere cidade menor escolhe entre Toowoomba, Darwin, Cairns, Ballarat ou Wagga Wagga, entre centenas de municípios.

A família entra no mesmo pedido. Cônjuge ou companheiro e filhos dependentes recebem o 491 com as mesmas condições, e o cônjuge trabalha em qualquer função, também dentro da região.

O descumprimento pesa. O departamento pode cancelar o visto de quem mora ou trabalha em área metropolitana, e o tempo vivido fora da região não conta para os três anos exigidos pelo 191.

 
 

II  A VAGA

Enfermeiros e mecânicos na lista estadual

Cada estado publica a própria lista de profissões e os próprios critérios de indicação para o 491, e as listas mudam a cada ano fiscal australiano, que começa em 1º de julho. Queensland, Austrália do Sul, Tasmânia, Austrália Ocidental e Território do Norte costumam abrir vagas para quem mora fora do país; Nova Gales do Sul e Victoria priorizam, em geral, quem já vive e trabalha na região.

Enfermagem aparece nas listas de quase todos os estados. O enfermeiro brasileiro passa pela avaliação do ANMAC (Australian Nursing and Midwifery Accreditation Council, conselho de acreditação de enfermagem e obstetrícia) e precisa de registro na AHPRA (Australian Health Practitioner Regulation Agency, agência reguladora dos profissionais de saúde) para exercer.

Mecânico automotivo, eletricista, soldador, carpinteiro e chef formam o segundo grupo. A avaliação desses ofícios fica com a TRA (Trades Recognition Australia, órgão federal de reconhecimento de ofícios), que aplica o Offshore Skills Assessment Program (programa de avaliação fora da Austrália): análise de documentos e prova prática diante de um avaliador credenciado, às vezes no país do candidato.

Professor de educação infantil, técnico agrícola e profissional de cuidado a idosos completam as listas regionais com frequência, porque as cidades do interior disputam esses cargos com as capitais e costumam perder.

Oferta de emprego não é exigência legal do 491. Alguns estados, porém, pedem contrato ou comprovação de trabalho na região para indicar candidatos em certas profissões, e a regra muda a cada lista publicada.

QUANTO O TRABALHO PAGA

O piso nacional é fixado pela Fair Work Commission (comissão federal de relações de trabalho). A revisão salarial anual de 2025 elevou o salário mínimo nacional para AUD 24,95 por hora, com vigência em 1º de julho de 2025, valor que protege também o titular do 491.

Nas profissões de ofício e na enfermagem, os salários seguem os modern awards (convenções salariais por setor definidas pela mesma comissão), que fixam valores por nível de qualificação e costumam superar o piso.

O salário também decide a residência permanente. Para pedir o 191, o titular precisa ter renda tributável de pelo menos AUD 53.900 em cada um de três anos fiscais, e 38 horas semanais pagas pelo piso somam cerca de AUD 49.300 em 52 semanas, abaixo da marca. Hora extra, adicional noturno ou um cargo acima do piso fecham a conta.

Os três anos fiscais não precisam ser seguidos, mas precisam cair no período em que o titular tinha o 491. Um ano fraco não derruba o plano, porque o visto de cinco anos deixa margem para compensar.

 

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III  A ROTA

Do convite estadual ao subclass 191

A sequência abaixo cobre o brasileiro que quer entrar na Austrália pelo 491 com indicação estadual e chegar à residência permanente.

1. Confirmar a profissão na lista do estado escolhido e identificar o órgão que faz a avaliação de competências.

2. Fazer o IELTS, o PTE Academic (Pearson Test of English, exame de inglês da editora Pearson) ou outro teste aceito e guardar o resultado, válido por três anos.

3. Pedir a avaliação de competências ao órgão da profissão, com diploma, histórico e comprovação de experiência traduzidos.

4. Registrar a Expression of Interest no SkillSelect marcando o 491 e o estado de interesse, com a pontuação calculada.

5. Pedir a indicação ao governo estadual pelo portal do próprio estado, quando o programa exigir inscrição separada.

6. Receber o convite e protocolar o visto no ImmiAccount (portal de vistos do Departamento de Assuntos Internos) em 60 dias, com exames médicos e certidões de antecedentes criminais.

7. Chegar, morar e trabalhar em região designada, guardando contratos de aluguel, contracheques e as notices of assessment (avisos de apuração do imposto de renda) de cada ano fiscal.

8. Pedir o subclass 191 depois de três anos como titular do 491, com três anos fiscais de renda tributável igual ou superior a AUD 53.900.

O passo sete concentra o risco. Sem as notices of assessment emitidas pelo Australian Taxation Office (a Receita Federal australiana), o titular não prova a renda, e o 191 depende desses avisos.

O passo oito fecha a transição. O 191 dispensa teste de pontos, nova avaliação profissional e limite de idade, e o residente permanente pode se mudar para Sydney, Melbourne ou Brisbane depois da concessão. Quatro anos de residência legal, com pelo menos um como permanente, habilitam a solicitação de cidadania australiana.

Os cinco anos do 491 dão folga: quem perde o emprego ou atrasa a renda de um ano fiscal ainda tem margem para completar os três anos exigidos antes do vencimento. Quem não completa perde a base para o 191 e precisa de outro visto para continuar no país.

O 191 só aceita renda declarada. Trabalho informal e pagamento sem registro na Receita australiana não entram na conta dos três anos fiscais.

"Sua profissão está na lista de algum estado australiano, e qual órgão avaliaria o seu diploma?"

Com o dólar australiano a R$ 3,55, a taxa do pedido principal do 491, de AUD 4.910 na tabela do Departamento de Assuntos Internos, sai por cerca de R$ 17.430, sem incluir a avaliação de competências, o teste de inglês, os exames médicos e a passagem aérea (cotação de 24/09/2026).

 
 
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