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II A VAGA
Uma analista de Belo Horizonte em St. Julian's
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Considere Mariana Duarte Figueiredo, nome dado aqui a uma analista de dados hipotética de 29 anos, formada em Estatística em Belo Horizonte e com cinco anos de experiência em modelos de risco de crédito.
Mariana responde ao anúncio de uma empresa de apostas online sediada em St. Julian's, bairro de escritórios e hotéis na costa norte de Malta. São duas entrevistas por vídeo e um teste técnico em SQL (linguagem de consulta a bancos de dados).
A proposta chega por e-mail com salário de 28.000 euros por ano e um bônus anual por desempenho, sem valor garantido no contrato.
Somados, salário e bônus passariam da linha. Só o salário-base, que é o número lido pela Identità, fica 2.000 euros abaixo dela, e o pedido pela via rápida não se sustentaria.
Mariana mostra a regra à recrutadora antes de assinar. A empresa sobe o salário-base para 31.500 euros anuais, cerca de R$ 198.450, e mantém o bônus separado.
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Mariana ganhou 3.500 euros por ano no salário-base ao ler a linha da KEI antes de assinar, e o pedido entrou na via rápida.
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O DOSSIÊ DA CANDIDATA
Mariana separa o diploma, o histórico escolar e duas cartas de empregadores anteriores, todos apostilados. O diploma segue para o MQRIC, que devolve a declaração de equivalência por e-mail.
Ela também envia cópia de todas as páginas do passaporte, foto no padrão europeu e o comprovante do seguro-saúde. A empresa junta o contrato assinado e a declaração de cargo-chave e protocola tudo na Identità.
OS CINCO DIAS NA PRÁTICA
Os cinco dias úteis contam a partir do recebimento do dossiê completo e da taxa paga. Papel faltando suspende o pedido até a correção, e a contagem só volta a andar com o documento entregue.
O pedido de Mariana entra numa segunda-feira, e a aprovação em princípio chega na sexta. Como o brasileiro entra no espaço Schengen (a área europeia de livre circulação) sem visto de turista, ela embarca com a carta de aprovação e completa a biometria em Malta.
Antes de partir, Mariana entrega à Receita Federal a comunicação de saída definitiva do país e, no ano seguinte, a declaração de saída. Sem os dois documentos, o salário em euros continuaria sujeito ao imposto de renda brasileiro.
Em Malta, o imposto de renda é progressivo e descontado na fonte pela própria empresa, junto com a contribuição para a previdência. A equipe trabalha em inglês, e Mariana assina o aluguel e abre a conta bancária sem falar uma palavra de maltês.