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II A VAGA
Um motorista de Chapecó em Leiria
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Considere Paulo Roberto Zanella, nome dado aqui a um caminhoneiro hipotético de 41 anos, nascido em Chapecó (SC), com 15 anos de estrada em bitrem (carreta com dois semirreboques) entre o oeste catarinense e o porto de Paranaguá.
Paulo tem CNH na categoria E desde 2012. Uma transportadora de Leiria, no centro de Portugal, abre vagas para rotas ibéricas e manda a proposta: salário base de 1.150 euros, mais ajudas de custo por noite dormida fora.
O contrato chega assinado ainda no Brasil. Com ele, Paulo pede no consulado de Portugal em Curitiba o visto de residência para trabalho subordinado (emprego com patrão, carteira assinada à portuguesa) e embarca três meses depois.
Em Portugal, a carta brasileira entra pelo acordo bilateral de reconhecimento de habilitações. Paulo troca a CNH pela carta portuguesa no IMT, com as categorias C e CE, e passa pelo exame médico que as categorias pesadas exigem.
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Paulo chegou a Leiria com contrato, visto e carta trocada, e ainda não podia levar carga à Espanha.
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O CERTIFICADO DO OFÍCIO
Faltava o CAM (Certificado de Aptidão de Motorista, a formação profissional obrigatória na Europa), exigido pela Diretiva (UE) 2022/2561. Sem ele, a carta não serve para trabalho: o código 95 impresso no verso é o que prova a formação.
Paulo faz a formação inicial acelerada de 140 horas numa escola de Leiria, paga 750 euros e passa no exame escrito. O código 95 entra na carta portuguesa na mesma semana.
Ele pede ainda no IMT o cartão de condutor do tacógrafo (o aparelho que grava tempo de direção e de descanso), por 40 euros. Sem o cartão, o caminhão não registra a jornada dele e não sai do pátio.
O PAPEL QUE A EMPRESA PEDE
Com a autorização de residência e a inscrição na Segurança Social em mãos, a transportadora protocola no IMT o pedido do atestado em nome dela, com os dados de Paulo e a cópia do contrato.
Enquanto o documento não sai, Paulo faz entregas só dentro de Portugal, entre Leiria, Porto e Setúbal. O atestado cobre o transporte feito com licença comunitária, e o frete dentro do país da empresa dispensa o papel.
O atestado chega ao escritório. O gestor de frota guarda a cópia no arquivo e entrega o original a Paulo, que o põe na pasta de documentos presa atrás do banco do motorista.
Na primeira viagem a Madri, numa área de fiscalização perto de Badajoz, o agente confere carta, cartão do tacógrafo, licença da empresa e atestado. Libera o caminhão em 20 minutos.