|
Considere Juliana Prado Ferraz, nome dado aqui a uma analista de comércio exterior hipotética de 31 anos, nascida em Santos (SP), com oito anos de trabalho em despacho aduaneiro no porto da cidade.
Uma distribuidora de eletrônicos instalada na Zona Livre de Colón, a zona franca na entrada atlântica do canal, a 80 quilômetros da capital, oferece a ela o cargo de coordenadora de importação. A empresa revende mercadoria asiática para a América do Sul e procura quem conheça a aduana brasileira por dentro.
A proposta vem com salário em dólar, a moeda que circula no Panamá ao lado do balboa, e com contrato por prazo indeterminado.
O salário precisa combinar com o cargo, porque um valor baixo demais para a função chama a atenção do SNM na análise do pedido.
|
Para Juliana, o visto começou na mesa do RH da distribuidora, semanas antes de qualquer protocolo no SNM.
|
O CONTRATO NO MITRADEL
A distribuidora registra o contrato no Mitradel e emite a carta do empregador, com cargo, salário e data de início. O advogado da empresa junta a certidão do Registro Público e o aviso de operação.
Juliana descobre ali uma exigência da lei panamenha: todo pedido de residência no SNM entra por advogado habilitado no país. Ela não protocola nada sozinha, e os honorários pesam no orçamento.
A PASTA BRASILEIRA
Do Brasil, ela leva os antecedentes criminais da Polícia Federal, a certidão de nascimento e o passaporte, com apostila de Haia (o carimbo internacional que valida documento público entre países) nos dois primeiros. Os antecedentes têm validade curta e entram por último na pasta.
A tradução para o espanhol sai no Panamá, feita por tradutor público autorizado pelo governo panamenho. O advogado encomenda o serviço assim que os papéis apostilados chegam.
Os antecedentes da Polícia Federal saem pela internet, sem custo, em poucos minutos. A apostila é feita em cartório, com taxa cobrada por documento.
OS DOIS ANOS DE JULIANA
Ela entra no país como turista, e o advogado protocola o pedido no SNM. Juliana recebe uma carteira provisória e, semanas depois, o cartão de residente temporária, válido por dois anos.
Durante esse prazo, a distribuidora mantém os recolhimentos na Caixa de Seguro Social. Juliana guarda os comprovantes mês a mês, porque o pedido da permanente cobra a prova do vínculo contínuo.
Aos dois anos, o advogado entra com a permanente, ainda com o mesmo emprego. Com o cartão novo, Juliana pede o permiso de trabajo indefinido, que a deixa trocar de empregador sem refazer o visto.
O marido dela, Diego, programador, entra como dependente no mesmo pedido, com certidão de casamento apostilada. Para trabalhar numa empresa panamenha, ele precisa de autorização própria no Mitradel.
|