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Considere Rafael Menezes Duarte, nome dado aqui a um cozinheiro hipotético de 34 anos, nascido em Salvador (BA), com 12 anos de cozinha baiana em restaurantes de Salvador e de São Paulo.
Um grupo de restaurantes de Bengaluru abre uma casa de comida brasileira em Indiranagar e procura um chef de cozinha típica. A oferta chega pelo LinkedIn: 1,2 milhão de rúpias por ano, cerca de US$ 14 mil, com moradia paga.
O salário fica abaixo do piso de US$ 25 mil. Para um engenheiro ou um gerente, o pedido pararia ali. Rafael, porém, entra na exceção do cozinheiro de cozinha étnica.
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O contrato de Rafael passa no consulado com salário de US$ 14 mil porque a moqueca dele é cozinha étnica para a lei indiana.
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A OFERTA
O restaurante manda a carta de oferta, o contrato com a função de chef de cozinha brasileira e o registro da empresa no Ministério de Assuntos Corporativos da Índia. A função escrita no contrato precisa casar com a exceção.
Rafael junta os certificados de cursos de gastronomia e cartas dos restaurantes onde trabalhou, com datas e cargos. A experiência comprovada mostra ao consulado um especialista, e não um ajudante de cozinha.
A CHEGADA
Com o visto E aprovado por um ano, Rafael desembarca em Bengaluru. Em até 14 dias, ele se registra no FRRO (o escritório regional de registro de estrangeiros), pelo portal e-FRRO, porque o visto passa de 180 dias.
O registro gera um documento de residência. Com ele, Rafael abre conta num banco indiano, tira o PAN (o número de contribuinte do país) e assina o aluguel em nome próprio quando sair da moradia paga.
Na cozinha, Rafael treina quatro cozinheiros indianos no dendê, no leite de coco e no ponto do acarajé. O contrato prevê esse treino, e o restaurante usa o item como mais uma prova de especialista estrangeiro na renovação.
A FAMÍLIA
A mulher de Rafael, Carla, entra com visto X (o visto de entrada para dependentes), com o mesmo prazo do dele. Ela pode morar e estudar na Índia, mas não pode trabalhar com esse visto.
Se Carla receber oferta de emprego, precisa de um visto E próprio, com contrato e piso salarial próprios, ou com encaixe numa das exceções.
OS IMPOSTOS
Rafael passa a residente fiscal indiano ao ficar 182 dias ou mais no país no ano fiscal, de abril a março. O imposto é retido na fonte pelo restaurante, com base no PAN.
No Brasil, ele entrega a Declaração de Saída Definitiva do País à Receita Federal. Brasil e Índia têm acordo para evitar a dupla tributação, assinado em 1988.
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