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O visto grego por imóvel que subiu para € 800 mil em Atenas

Desde a lei de 2024, Ática, Tessalônica, Mykonos e Santorini pedem o dobro, e o resto da Grécia segue em € 400 mil.

Vista do alto da Acrópole sobre os prédios brancos de Atenas até o porto do Pireu.

Atenas vista da Acrópole, a 150 metros

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A 37 graus e 58 minutos de latitude norte, no alto da Acrópole, 150 metros acima do nível do mar, quem olha para o sul vê os prédios brancos de Atenas descerem em ondas até o porto do Pireu, a 12 quilômetros dali.

Cada telhado daquela paisagem entrou numa conta nova em setembro de 2024. Foi quando passou a valer a Lei 5100/2024, aprovada pelo Parlamento grego em abril daquele ano, que mexeu no preço do Golden Visa (o visto de residência concedido a quem compra imóvel no país).

O programa existia desde 2013 e tinha fama de ser o mais barato da União Europeia. Durante anos, bastava comprar € 250 mil em imóveis, em qualquer canto da Grécia, para ganhar cinco anos de residência renováveis para a família inteira.

A procura cresceu tanto que o governo passou a culpar o visto pela alta dos aluguéis em Atenas. Estrangeiros compravam apartamentos pequenos no centro, dividiam o valor entre dois ou três imóveis e punham tudo para alugar a turistas por diária.

A lei respondeu em três frentes. Subiu o piso para € 800 mil nas regiões mais disputadas, criou um piso de € 400 mil para o resto do país e passou a exigir que o valor esteja num imóvel só, com área mínima de 120 metros quadrados.

O mapa das regiões caras é curto. Entram a Ática, que é a região administrativa de Atenas e do Pireu, Tessalônica, as ilhas de Mykonos e Santorini, e toda ilha com mais de 3.100 habitantes.

Fora desse mapa, o piso fica em € 400 mil. Vale para Creta fora das cidades grandes, para o Peloponeso, para Corfu, para as cidades do norte e para centenas de ilhas pequenas.

A regra dos 120 metros quadrados foi o golpe mais duro para quem planejava comprar estúdio. O apartamento de 50 metros quadrados no bairro de Koukaki, aos pés da Acrópole, deixou de servir sozinho para o visto.

O que a lei aceita, o que ela proíbe depois da compra e quanto tempo o visto dura aparecem logo abaixo, na regra.

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I  A REGRA

Um imóvel só, com 120 metros

O Golden Visa grego é, no papel, uma autorização de residência para investidor, prevista no Código de Migração da Grécia e reformada pela Lei 5100/2024. Ela vale por cinco anos e se renova por mais cinco, sem limite de renovações, enquanto o imóvel continuar no nome do titular.

O corte de preço segue o endereço do imóvel. Quem compra dentro da Ática, de Tessalônica, de Mykonos, de Santorini ou de ilha com mais de 3.100 habitantes precisa investir € 800 mil; quem compra fora dessas áreas precisa de € 400 mil.

A lei também fechou o atalho da soma. Antes, o investidor podia juntar dois ou três apartamentos até chegar ao piso; agora o valor precisa estar num único imóvel residencial, e esse imóvel precisa ter pelo menos 120 metros quadrados.

Na Grécia atual, o visto olha três números da escritura: o valor, a metragem e o endereço.

Existe uma exceção de € 250 mil. Ela vale para quem compra um prédio comercial ou industrial e o converte em residência, com a obra concluída antes do pedido, e para quem restaura um imóvel tombado como patrimônio histórico.

A proibição mais sentida veio depois da compra. O imóvel do visto não pode ser alugado por temporada, o aluguel de curta duração do tipo Airbnb, e quem desrespeita paga multa de € 50 mil e perde a residência.

O poeta Konstantinos Kaváfis, nascido em Alexandria, escreveu sobre a mudança de país uma frase que corretores gregos gostam de citar para estrangeiros.

“Não acharás outra terra, não acharás outro mar. A cidade irá contigo.”

Konstantinos Kaváfis, "A Cidade", 1910 (tradução de José Paulo Paes)

O QUE O VISTO NÃO EXIGE

A lei não pede tempo mínimo de permanência. O titular pode morar em São Paulo e visitar a Grécia uma vez por ano, e o visto se renova do mesmo jeito, desde que o imóvel siga no nome dele.

A família entra no pedido. Cônjuge ou companheiro, filhos até 21 anos e os pais dos dois cônjuges recebem a mesma autorização de cinco anos, sem investimento adicional.

O visto também não exige grego, prova de renda ou diploma. Pede passaporte válido, seguro-saúde com cobertura na Grécia, certidão de antecedentes criminais e a escritura registrada no cartório de imóveis grego.

 
 

II  A VAGA

O visto que não assina carteira

O Golden Visa dá direito de morar na Grécia, e não dá direito de trabalhar como empregado. O titular não pode ser contratado por empresa grega com salário e carteira, e essa trava pega muita gente que comprou pensando em mudar de vida e de emprego de uma vez.

O que a lei permite é atuar como investidor. O titular pode ser sócio de empresa grega, ocupar cargo no conselho de administração e receber dividendos, mas não pode entrar na folha de pagamento como funcionário.

O cônjuge segue a mesma regra. Os dependentes moram, estudam em escola pública grega e usam o sistema de saúde, mas também não têm autorização para emprego assalariado.

O imóvel compra o endereço; o emprego exige outro papel, pedido à parte.

QUEM TRABALHA DE LÁ

O caminho mais usado por brasileiros que querem renda na Grécia é o visto de nômade digital, criado em 2021. Ele exige renda líquida mínima de € 3.500 por mês, paga por empresa ou cliente de fora da Grécia, e dá um ano de permanência, renovável por mais dois.

Quem tem proposta de empresa grega segue outro trilho. A empresa pede autorização de trabalho ao Ministério da Migração e Asilo (o órgão que cuida de vistos no país), e o contrato precisa estar assinado antes da viagem.

A Grécia também tem o Cartão Azul da União Europeia, a autorização de trabalho para profissional qualificado com diploma superior. O salário anual mínimo é fixado pelo governo grego a cada ano, e a vaga precisa estar no nível do diploma do candidato.

Atenas concentra as vagas que mais contratam estrangeiros. Turismo e hotelaria, transporte marítimo no Pireu, que abriga armadores com algumas das maiores frotas mercantes do mundo, e centros de tecnologia abertos por empresas estrangeiras em Maroussi e Chalandri, bairros do norte da capital.

O Golden Visa funciona melhor para quem já tem renda fora. Aposentado, empresário com negócio no Brasil ou profissional remoto usam o visto como endereço europeu e mantêm o trabalho onde ele já está.

O relógio da cidadania anda devagar nesse caminho. A naturalização grega exige sete anos de residência com presença física real no país, prova de grego e teste de história e cultura, e o titular que mora fora não acumula esse tempo.

 

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III  A ROTA

Da escritura ao cartão de residência

A sequência abaixo cobre o brasileiro que quer entrar na Grécia pelo Golden Visa comprando um imóvel residencial pronto.

1. Tirar o AFM (o número de contribuinte grego) numa repartição da receita da Grécia ou por procuração dada a um advogado local.

2. Abrir conta num banco grego, que vai receber o dinheiro da compra vindo do exterior, com o registro da origem do valor.

3. Escolher o imóvel e conferir, no mapa da lei, se o endereço cai na faixa de € 800 mil ou na de € 400 mil, e se a planta tem 120 metros quadrados ou mais.

4. Contratar advogado para checar a matrícula no Ktimatologio (o cadastro nacional de imóveis grego), a ausência de dívidas e a licença de construção.

5. Assinar a escritura no tabelião, pagar o imposto de transmissão de 3,09% sobre o valor e registrar o imóvel no cadastro.

6. Protocolar o pedido de residência no Ministério da Migração e Asilo, pagar a taxa de € 2.000 do titular e € 150 por dependente, e agendar a coleta de biometria.

7. Receber o protocolo azul, que já garante a estadia legal no país, e esperar o cartão de residência de cinco anos.

O passo três é onde mais gente se engana. O corretor anuncia "Grécia", mas o piso é decidido pela unidade regional do imóvel, e um apartamento em Glyfada, praia do sul de Atenas, está dentro da Ática e custa ao investidor € 800 mil de piso.

O passo seis costuma demorar. O protocolo sai em poucas semanas, e o cartão definitivo pode levar mais de um ano, período em que o protocolo substitui o cartão para morar e circular.

O imóvel não pode ser vendido sem consequência. Se o titular vender antes de cumprir a renovação, a residência cai junto; se vender para outro estrangeiro que queira o visto, o comprador herda o direito, desde que o imóvel cumpra a lei atual.

Na Grécia, o endereço da escritura decide o preço do visto, e a carteira de trabalho fica fora do pacote.

"Você compraria 120 metros quadrados fora de Atenas para ter um endereço na Europa?"

Com o euro a R$ 6,30, o imóvel de € 400 mil fora da Ática, o imposto de transmissão de 3,09% e a taxa de € 2.000 do titular somam cerca de R$ 2.610.470, sem incluir advogado, tabelião, seguro-saúde e a passagem (cotação de 29/09/2026).

 
 
 
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Antes da Lei 5100/2024 entrar em vigor, o Golden Visa grego exigia qual investimento mínimo em imóveis, valendo para qualquer região do país?

A€ 400 mil
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C€ 800 mil
D€ 500 mil

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