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O trabalho pesado da rota acontece no Brasil, antes do embarque, e é quase todo cartorial. A sequência abaixo cobre o pedido feito já no país de destino, que é o formato mais usado por quem vai de ônibus ou de avião com passagem de turista.
1. Tirar a certidão de antecedentes criminais da Polícia Federal pelo site da instituição, emitida na hora e sem custo, e a certidão de antecedentes do Tribunal de Justiça do estado onde o requerente mora.
2. Reunir certidão de nascimento atualizada e, havendo cônjuge ou filhos no pedido, certidão de casamento e certidões de nascimento dos dependentes.
3. Apostilar cada documento em cartório autorizado, procedimento previsto na Convenção de Haia, em vigor no Brasil desde agosto de 2016, que substituiu a legalização consular.
4. Contratar tradutor público juramentado para verter os documentos ao espanhol, exigência do balcão migratório em todos os países hispanofalantes do acordo.
5. Entrar no território com o passaporte carimbado como visitante e guardar o comprovante de entrada, que o processo exige como prova da data de ingresso.
6. Abrir o pedido no sistema da autoridade migratória local, o RADEX na Argentina e o portal do Servicio Nacional de Migraciones no Chile, marcando a opção de critério de nacionalidade Mercosul.
7. Comparecer à entrevista presencial com os originais, fazer a coleta biométrica e pagar a taxa nacional de radicação.
8. Solicitar o documento de identidade local assim que a residência sair, e depois o número trabalhista que permite a admissão formal.
O passo três derruba mais pedidos que todos os outros somados. Documento sem apostila é recusado no balcão, e refazer o apostilamento de dentro da Argentina obriga a pedir por procuração a um parente no Brasil, com semanas de atraso e frete internacional de papel.
O calendário também tem uma armadilha silenciosa. A certidão de antecedentes da Polícia Federal vale noventa dias contados da emissão, e o mesmo prazo costuma valer para a certidão estadual. Tirar tudo com três meses de antecedência do embarque garante papel vencido no dia da entrevista.
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Nos noventa dias anteriores ao fim dos dois anos, o residente pede a conversão em permanente, comprovando meios de vida lícitos por holerite, contrato de prestação de serviço, declaração de renda ou movimentação bancária. Perder essa janela devolve a pessoa à condição irregular, e o acordo não prevê renovação automática da temporária.
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A conta brasileira do preparo é pequena e previsível. As duas certidões de antecedentes saem sem custo nos portais oficiais, o apostilamento fica em torno de R$ 130 por documento nas tabelas de emolumentos dos cartórios, a tradução juramentada gira em R$ 90 por lauda e a taxa argentina de radicação equivale a cerca de US$ 100. Com três documentos apostilados, três laudas traduzidas e o dólar a R$ 5,45, o requerente solteiro fecha em R$ 1.205 antes de sair do Brasil, sem passagem nem aluguel (cotação de 03/09/2026).
"Você já conferiu se o país que te interessa aplica o Acordo de Residência do Mercosul?"
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